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A Bioquímica da Fosfoetanolamina!

19 de Novembro de 2015

Este ano, um composto químico está causando muita polêmica e discussão: trata-se da Fosfoetanolamina. Após a divulgação de notícias sobre seus possíveis efeitos, a fosfoetanolamina passou a ser procurada por diversas pessoas diagnosticadas com câncer.

Mas, afinal, o que é a fosfoetanolamina? Quais características fazem deste composto um potencial tratamento contra o câncer? Do ponto de vista bioquímico, trata-se de uma amina primária (composto químico) envolvida na biossíntese (fabricação) de lipídeos. Além da função estrutural, de formar a membrana celular, ela possui ainda uma função sinalizadora, ou seja, a fosfoetanolamina informa o organismo de algumas situações que as células estão passando.

A fosfoetanolamina é produzida naturalmente pelo nosso organismo, com uma importante função no metabolismo celular que é agir no transporte de ácidos graxos para as mitocôndrias  responsáveis pela produção de energia na célula.

A fosfoetanolamina foi isolada pela primeira vez em 1936, após sua extração de tumores malignos de bovinos. A partir de então, descobriu-se que a fosfoetanolamina é um tipo de fosfolipídeo, um monoéster, que compõe a estrutura de membranas celulares. Por incrível que pareça, este composto está presente em todos os tecidos e órgãos animais! E por isso surgiu o interesse dos pesquisadores em elucidarem a bioquímica da fosfoetanolamina.

Bioquímica da Fosfoetanolamina, pesquisa sobre cura do câncer no Brasil

Após a descoberta do composto, algumas pesquisas demonstraram uma relação entre a sua concentração no tecido e a existência de tumores. A fosfoetanolamina é encontrada em grandes quantidades em cérebros saudáveis, por exemplo, mas sua concentração pode ser 10 vezes maior, caso exista a presença de um tumor no tecido cerebral. Além disso, alguns estudos demonstraram que patologias do sistema nervoso central, como a doença de Alzheimer, poderiam estar relacionadas à deficiência de fosfoetanolamina.

Atualmente, pesquisadores da área têm focado nos possíveis efeitos da fosfoetanolamina sobre os tumores, com a intenção de utilizar este composto em tratamentos anti-tumorais. Estes estudos geralmente utilizam culturas de células e camundongos para a realização dos tratamentos, por ser mais fácil a visualização dos processos bioquímicos.

De acordo com as pesquisas publicadas, o tratamento de animais com fosfoetanolamina resultou em redução da massa tumoral de melanomas (câncer de pele). Já as pesquisas com culturas celulares utilizaram o composto no tratamento de células hepáticas tumorais e demonstraram dois possíveis fatores para a diminuição dos tumores: um aumento na indução da apoptose (morte) das células e uma diminuição no potencial de membrana das mitocôndrias.

Estes e outros estudos apresentam resultados aparentemente bastante promissores, mas devemos sempre ter em mente que as pesquisas foram realizadas apenas em células e em animais não-humanos. Por diversas vezes medicamentos que apresentaram resultados satisfatórios em pesquisas celulares e de laboratório falharam durante os testes clínicos com pacientes humanos. Isto se deve às diferenças bioquímicas existentes entre os modelos utilizados em testes laboratoriais, geralmente roedores, e humanos. E são justamente estas diferenças que tornam a busca por novos medicamentos tão minuciosa.

pílula do câncer, testes

Diversos fatores com relação aos efeitos da fosfoetanolamina no organismo humano ainda são desconhecidos, dentre eles o envolvimento do sistema imunológico e os mediadores ativados durante os tratamentos com o composto. Esperamos que as pesquisas com a Fosfoetanolamina sejam incentivadas e recebam os investimentos necessários. Porém, assim como todas as demais pesquisas farmacêuticas, estas devem ser realizadas com um grande senso crítico, afinal, vidas humanas serão tratadas com os possíveis medicamentos liberados para comercialização.

Fontes: USP , PLOS One, British Journal of Cancer, USP/Tese.




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