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Como funciona o quimerismo em humanos?

09 de Agosto de 2017

Chamamos de quimerismo quando uma ou mais populações de células de indivíduos diferentes, coexistem em um mesmo corpo. A maioria dos casos são descobertos de forma “acidental”, enquanto outros deles, como olhos de cores diferentes, são mais visíveis.

O termo quimera era utilizado na mitologia para descrever criaturas com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente. Para a biologia, quimerismo é quando uma ou mais populações de células de indivíduos geneticamente diferentes coexistem em um mesmo corpo. Existe também o termo microquimerismo, quando o percentual dessas populações de células é menor. O quimerismo era pouco explorado, até que começaram a ser realizados estudos que avaliavam a rejeição de tecidos transplantados. Bom, mas o que uma coisa tem a ver com a outra? Para entender a rejeição nos transplantes é necessário entender como acontece o microquimerismo. Vamos lá?

A fertilização de dois zigotos, normalmente, dará origem a gêmeos dizigóticos (gêmeos que “não são idênticos”). Porém, se os dois zigotos se fundem no estágio pluripotente na formação do embrião – quando as células podem se diferenciar em qualquer tipo de célula –, um feto é originado com duas linhagens de células geneticamente distintas, formando uma quimera. A linhagem de células que possui um genótipo diferente pode ser adquirida também de forma induzida: através de um transplante de tecidos, órgãos, transfusão sanguínea ou transferência de células fetais para a circulação da mãe durante a gestação. Estudos já demonstraram que células fetais podem ser detectadas no sangue da mãe até 27 anos após o parto.

Mas quais as consequências do microquimerismo em um organismo? Por exemplo, durante a gestação, em um esforço do organismo da mãe para eliminar o material genético vindo do feto, reconhecido como “corpo estranho”, uma doença auto-imune pode ser desenvolvida. Em caso de transplantes, uma das linhagens celulares presentes no indivíduo com microquimerismo, pode rejeitar um tecido ou órgão transplantado. Poucos casos de quimerismo em humanos foram relatados na literatura científica e alguns deles são descobertos desta forma, ”acidental”. Outros deles mostram-se mais visíveis, como olhos de cores diferentes.

Créditos: sr uilk | Shutterstock

O microquimerismo também tem um papel importante em investigações criminais, já que os testes de laboratório acabam identificando apenas uma das linhagens celulares do criminoso, deixando outra para trás e dificultando a identificação do criminoso. Cabe também chamar a atenção para a fertilização in vitro. Apesar de contribuir com um grande número de casos de infertilidade, deve ser considerado os riscos que se corre ao optar por este procedimento. O método aumenta consideravelmente a probabilidade do microquimerismo, já que trabalha com a implantação de diversos embriões no útero de uma paciente, para que a técnica tenha sucesso. Mais pesquisas sobre o tema são necessárias para que se tenha uma real noção dos riscos oferecidos pelo microquimerismo.

Fonte: EMBO ReportsUnicamp.


 

Fique ligado! Questões sobre este assunto podem aparecer no ENEM e demais vestibulares. Veja abaixo uma questão que já apareceu na prova:

Um importante princípio da biologia, relacionado à transmissão de caracteres e à embriogênese humana, foi quebrado com a descoberta do microquimerismo fetal. Microquimerismo é o nome dado ao fenômeno biológico referente a uma pequena população de células ou DNA presente em um indivíduo, mas derivada de um organismo geneticamente distinto. Investigando-se a presença do cromossomo  foi revelado que diversos tecidos de mulheres continham células masculinas. A análise do histórico médico revelou uma correlação extremamente curiosa: apenas as mulheres que antes tiveram filhos homens apresentaram microquimerismo masculino. Essa correlação levou à interpretação de que existe uma troca natural entre células do feto e maternas durante a gravidez.

MUOTRI, A. Você não é só você: carregamos células maternas na maioria de nossos órgãos. Disponível em: http://g1.globo.com. Acesso em: 4 dez. 2012 (adaptado).

O princípio contestado com essa descoberta, relacionado ao desenvolvimento do corpo humano, é o de que

a) o fenótipo das nossas células pode mudar por influência do meio ambiente.   

b) a dominância genética determina a expressão de alguns genes.   

c) as mutações genéticas introduzem variabilidade no genoma.   

d) mitocôndrias e o seu DNA provêm do gameta materno.   

e) as nossas células corporais provêm de um único zigoto.   

 

 

Resposta: alternativa e. O texto cita a correlação entre mulheres que já tiveram filhos do sexo masculino e a presença de células portadoras do cromossomo Y em seus tecidos. Tal fato contesta o dogma de que todas as células de um indivíduo são provenientes do zigoto. 




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