BLOG

Pesquisadores desenvolvem cola para cicatrizes a partir de mexilhões

15 de Maio de 2017

Elas podem surgir de diversas maneiras e entre as causas mais comuns estão cortes desagradáveis ou procedimentos cirúrgicos. As cicatrizes são formadas quando “as pontes” de colágeno – uma proteína que dá estrutura, elasticidade e firmeza à nossa pele – se rompem. Em vez de voltar ao formato original de ponte, as fibras de colágeno começam a crescer em volta da ferida em feixes paralelos, resultando nas cicatrizes. Com o objetivo de minimizar o desconforto estético que as cicatrizes podem muitas vezes nos causar, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Pohang – Coreia do Sul, desenvolveram uma “cola” capaz de reduzir consideravelmente a aparência delas.

A nova cola para cicatrizes foi desenvolvida com o objetivo de imitar a função da decorina, uma proteína da pele que está envolvida na organização do colágeno, e que é difícil de se produzir em laboratório. Para conseguir bons resultados, os pesquisadores combinaram a proteína decorina, colágeno e uma substância grudenta produzida por mexilhões. “Substância grudenta dos mexilhões? Eca!” Isso mesmo! Mexilhão é um termo utilizado para identificar diversas espécies de moluscos bivalves, ou seja, moluscos com duas conchas. Dependendo da região do país, podem receber diferentes nomes, como marisco, sururu, bacu-cu, etc.  Parece surreal, mas funcionou...

Mexilhão é um termo utilizado para identificar diversas espécies de moluscos bivalves. Crédito: Peanymph | Shutterstock

Os primeiros tratamentos foram realizados em ratos com feridas profundas de 6 milímetros de largura na pele. No grupo que não recebeu o tratamento – grupo controle – a ferida foi recoberta com uma película transparente de plástico. Já o grupo que recebeu o tratamento, recebeu a cola espalhada na ferida, que também foi recoberta pela película de plástico. Após o 11º dia de observação, uma melhora considerável já foi observada no grupo que recebeu o tratamento. Ao final de 28 dias, os ratos tratados tinham recuperado totalmente a pele e não possuíam cicatrizes visíveis. Já o grupo controle, apresentava cicatrizes espessas e escuras.

Ao final de 8 dias, podemos observar resultados consideráveis no grupo que recebeu o tratamento com a cola (linha inferior) em comparação com o grupo controle (linha superior). Crédito: Jeon EY, Choi B-H, Jung D, Hwang BH, Cha HJ | Biomaterials

Os pesquisadores também fizeram análises microscópicas por onde conseguiram diagnosticar que nos ratos tratados, as fibras de colágeno haviam se desenvolvido de forma organizada e tinha desenvolvido folículos pilosos, vasos sanguíneos e outras estruturas que normalmente não são regeneradas em cicatrizes. Isso vai além do processo cicatrizante natural...

Ainda que a pele dos ratos seja consideravelmente diferente da pele de humanos – a pele dos ratos é frouxa em comparação à nossa – a cola é uma boa promessa nos testes que serão realizados. Antes de ser testada em humanos, ela deverá ser testada em porcos, que possuem uma pele mais semelhante à nossa. A cola à base de mexilhões poderá, futuramente, ser uma alternativa eficiente no tratamento de cicatrizes, que hoje possui muitas opções – silicone, gel, laser, entre outros – que além de possuírem um custo alto, não possuem eficácia garantida.

Fonte: Biomaterials, Universidade Federal Fluminense.


 

Questões sobre o processo de cicatrizazação podem cair no seu vestibular ou no ENEM. Confira uma questão que caiu no vestibular da UFPE:

Joana sofre um acidente automobilístico e machuca-se bastante devido ao não uso do cinto de segurança. Durante o período de sua recuperação, ocorre a regeneração de seus tecidos e órgãos lesados e a cicatrização de suas feridas. Sobre este assunto, considere as proposições a seguir.

(     )  A produção em excesso de paratormônio e a deficiência de vitamina A deixam a pessoa mais susceptível a fraturas nos casos de acidentes.  

(     )  Lesões teciduais induzem processos de regeneração que promovem a substituição das células danificadas por outras do mesmo órgão; no início da mitose, tais células condensam os cromossomos evitando-se que sofram quebras.  

(     )  As cicatrizes que geralmente resultam de acidentes são formadas devido à atividade de condroblastos que migram para a região danificada, produzindo matéria amorfa e tecido conjuntivo fibroso.  

(     )  Neurônios podem permanecer na interfase do ciclo celular por toda a vida; daí a dificuldade na regeneração de áreas do encéfalo afetadas por acidentes.  

(     )  Para evitar a perda excessiva de sangue, as plaquetas aderem às fibras colágenas dos vasos sanguíneos nas regiões lesadas, o que culmina com a conversão de fibrinogênio em fibrina.  

 

Resposta: V - V - F - V - V. As cicatrizes que geralmente resultam de acidentes são formadas devido à atividade dos fibroblastos presentes no tecido conjuntivo subjacente à epiderme. Essas células contribuem para o reparo tecidual, produzindo substância intercelular amorfa e tecido conjuntivo fibroso.




Confira também

  • É possível ser saudável sendo vegetariano/ vegano?

    LEIA MAIS
  • Últimas descobertas sobre a zika

    LEIA MAIS
  • Medicamento para Hepatite C apresenta resultados positivos para o tratamento da Zika

    LEIA MAIS
  • Por que o Brasil está enfrentando um surto de febre amarela?

    LEIA MAIS
Total time: 318.70 ms (SQL time: 0.03 ms, overhead time: 88.27 ms), SQL(s): 15 (install mode) GZIPED
INVALID HTML
CFP_HTMLTOOLS: Missing type in SCRIPT tag
CFP_HTMLTOOLS: Missing type in SCRIPT tag
CFP_HTMLTOOLS: Missing type in SCRIPT tag
CFP_HTMLTOOLS: Missing ALT in img tag: img height="1" width="1" style="display:none" src="https://www.facebook.com/tr?id=254341104760439&ev=PageView&noscript=1"
CFP_HTMLTOOLS: Missing type in SCRIPT tag
CFP_HTMLTOOLS: /head came when /link was expected
CFP_HTMLTOOLS: End of file reached while waiting 9 end tags:Array ( [0] => html [1] => head [2] => meta [3] => link [4] => link [5] => link [6] => link [7] => link [8] => link )