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Por que bocejamos?

06 de Dezembro de 2018

O bocejo seria uma manifestação do sono? Contrariando o senso comum, pesquisadores acreditam que ao bocejarmos, resfriamos o nosso cérebro e ficamos mais em alerta. Entenda como isso acontece!

Nada mais desconfortável do ficar bocejando durante uma aula, reunião de trabalho, conversa com os pais, ou mesmo em uma entrevista de emprego. O bocejo é rapidamente relacionado ao cansaço – ou mesmo ao desinteresse – e se essa relação for estabelecida, pode nos prejudicar de alguma forma. Bocejamos cerca de 240 mil vezes ao longo da vida, e apesar de às vezes nem notarmos, este assunto é cercado de mistérios e explicações. A mais recente é que bocejamos para baixar a temperatura do cérebro, e isto além de muito culto, pode ser uma ótima desculpa em um momento inconveniente de bocejo.

Uma equipe de pesquisadores austríacos e norte-americanos começaram a estudar a relação do bocejo com a temperatura do ambiente. Em um local com o clima quente dos Estados Unidos, os pesquisadores observaram que o nível do contágio de um bocejo (quem nunca bocejou ao ver outra pessoa bocejar?) cresceu com o aumento da temperatura do ambiente, e começou a decair com a diminuição da temperatura externa. Em uma outra parte do experimento, desenvolvida em Viena (Áustria) no inverno, foi verificado que os bocejos diminuíram pela metade com a diminuição da temperatura. Isto quer dizer que bocejamos mais em lugares quentes, Jubilut? Sim!

E aí, você bocejou ao ver esta figura? Crédito: Iryna Inshyna | Shutterstock.

Entenda como funciona este mecanismo: para bocejar, abrimos a boca, e isto faz com que aumente o fluxo sanguíneo para o pescoço, cabeça e face. Ao respirarmos mais profundamente para bocejar, forçamos para baixo o líquido espinhal e o sangue do cérebro. Desta forma, o ar mais frio que entra pela nossa boca, ajuda a “resfriar” essas regiões e esses líquidos, resfriando também o nosso cérebro. Algumas evidências científicas afirmam que o cérebro funciona melhor em temperaturas mais baixas, e isso contradiz o senso comum: o bocejo deixaria a pessoa mais em alerta, resfriando o cérebro e combatendo o seu sono.

Alguns membros da equipe já haviam estudado este comportamento em ratos e periquitos, que curiosamente também bocejam, e os resultados obtidos através dos testes com humanos também foram encontrados nos testes realizados com estes animais. Sendo assim, se chamarem a sua atenção por estar bocejando, tenha na ponta da língua a resposta: “o bocejo em humanos, e também em outros animais, tanto o espontâneo, como o contagiante, parece estar envolvido com a termorregulação cerebral.” Com isso, após o bocejo, você deverá estar mais em alerta e ainda ganhará uns créditos a mais. Por esta você não esperava, né?!

Fonte: Frontiers in neuroscience.


 

Questões sobre termorregulação em humanos e animais podem aparecer no seu vestibular ou no ENEM. Confira uma questão que caiu no vestibular da UERJ:

A taxa metabólica dos animais depende de vários fatores, dentre os quais seu tamanho, a temperatura do meio em que se encontram e sua capacidade de termorregulação. Observe os gráficos abaixo. No gráfico I, indica-se uma relação inversa entre o tamanho de um grupo de animais e suas respectivas taxas metabólicas relativas, ou seja, por unidade de massa corporal; no gráfico II, são apresentadas as curvas de consumo de oxigênio de dois outros animais em função da temperatura ambiente.

Aponte o principal fator responsável pela relação inversa representada no gráfico I e nomeie, dentre os animais nomeados na curva, aquele que precisa passar a maior parte do tempo se alimentando. Em seguida, indique qual das duas curvas do gráfico II é compatível com a taxa metabólica de qualquer um dos animais do gráfico I, justificando sua escolha.

 

 

Resposta: A relação inversa no gráfico I acontece, porque o animal perde calor pela superfície do corpo. No caso dos mamíferos, quanto menor for o tamanho corpóreo, maior será a relação superfície/volume e, consequentemente, maior será a perda de calor. O mussaranho é o animal que precisa passar a maior parte do tempo se alimentando, pois sendo pequeno, sua perda de calor é grande. Os mamíferos são animais endotérmicos e conseguem termorregular dentro de uma faixa de variação da temperatura ambiental. Dessa forma, o gráfico B mostra que a taxa metabólica desses animais é inversamente proporcional à temperatura ambiental. No frio a perda de calor é maior e, consequentemente, o mamífero aumenta sua taxa metabólica. No calor, ocorre o inverso, isto é, a perda de calor é menor e o animal come menos e reduz a sua taxa metabólica.




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